—Cuidado, miss Jenny!—disse a despenseira, gorda, ruiva e sardenta matrona ingleza, que suava ainda com o esforço que sustentára.

—Cautela, menina!—repetiu a outra criada, musculosa portugueza dos arredores da Maia—Olhe que ella é perigosa n'estas occasiões.

Jenny não as attendeu.

Chegou-se ao leito da velha demente e passou-lhe nos pulsos as mãos, delicadas e debeis.

A velha estremeceu e fitou n'ella o olhar espantado e ameaçador.

—Bons dias, Kate—disse-lhe affavelmente Jenny, sem que no rosto, risonho e sereno, se desenhasse a menor sombra de receio.

Kate ficou a olhal-a por algum tempo d'aquella maneira.

—Então que ruindade é esta hoje, Kate? Nem me conheces?

A velha principiou a socegar; conservava-se porém ainda muda, e não desviava de Jenny os olhos espantados.

—Não me conheces, ama?—continuou esta, em tom mais affectuoso—Kate, então? Já nem queres conhecer a Jenny?