—Dos mais atilados! Pobre rapaz! Consegui isto como se consegue tudo na vida... como se consegue ser homem, ser gente, ser alguêm neste mundo: á custa de muito ponta-pé!...

E separaram-se.

Mais adiante, Borregana, que caminhava apreensivo, scismático, no encalço do moço de fretes, em demanda dum albergue pacato, sentiu a ponta duma bengala tocar-lhe discretamente no ombro:

—Psst!... Borregana!

Voltou-se de novo, e deu de cara com outro velho conhecimento, a quem a sua presença inesperada causou igualmente grande surpresa e alegria. Repetiu-se, mutatis mutandis, a mesma scena: tambêm êste trepára,[{171}] tambêm êste vencera, tambêm tinha uma linda posição...

—É boa! E tudo isso...—balbuciou.

—Á custa de muito ponta-pé!

—!!

Ao desandar da rua do Carmo para o Chiado maior espanto o aguardava. Desta vez o velho amigo era um ministro—e ministro da Justiça!—que lhe abriu os braços como os outros (o que fez juntar gente...) e como os outros lhe confessou que tinha subido, trepado—á custa de muito ponta-pé!...

Dias passaram. Padre Borregana regressou a penates. Um domingo, logo depois da missa, chamando de parte o sacristão, lial companheiro e confidente, segredou-lhe: