Era um telegrama.

O prior precipitou-se, rasgou todo trémulo a obreia do sobrescrito: «Por ordem de S. Ex.ª...» (turvou-se-lhe a vista)... «nomeado cónego.»

Caiu sôbre um banco que para ali estava a um canto, aniquilado, morto de comoção. Quando despertou daquela espécie de síncope[{174}] o prior estava triste... Em volta houve um alarido, um espanto, mal constou o milagre... Porque fôra um milagre! Tudo quis ver e visitar o sr. padre Borregana, feito cónego—a ponta-pé. Não recebia? Porquê?... Talvez dorido, coitadinho, talvez de ferido no poisadoiro com a brutalidade da operação. E invectivava-se o Cristóvam—bruto! verdugo!—que se desculpava, dizendo:

—Pois sim, pois sim, mas se não fôsse eu...

Tinha rasão.

A roda das beatas da terra toda se desfazia em favores e conselhos de arnica, de unto de cobra e semi-cúpios de malvas, para aliviar as dores e a tristeza do prior, cujos nadegueiros—já agora uns nadegueiros de cónego—entumesciam e grelavam...

Dizia-lhe a criada:

—Parece que ficou a modos triste, sr. cónego?...

—E fiquei, pudéra, se não tenho de quê, cachopa!—queixava-se.

—De quê?! Hom'essa! Depois duma nova assim!...[{175}]