—Deboche! Indecência! Quem quer mulher arranja-a, mas casa-se, que é o que todo o homem limpo deve fazer.

Ela, a D. Ermelinda, correspondia a essa louvável demonstração de bons sentimentos da parte do marido, com uma dedicação sem limites, a que a sua enorme fealdade—uma «fealdade específica», como diz Camilo—prestava fiança idónea.

Além do termómetro havia tambêm na farmácia um barómetro. E todos os dias amigo[{43}] Anselmo informava a vila e arredores com aquele rigor meticuloso, scientífico, aquela probidade verdadeiramente spartana, que era um dos ornamentos hereditários do seu caracter...

Ninguêm saía da terra, ninguêm projectava uma viajem, um passeio, que não fôsse primeiro consultar o Anselmo:

—Que diz você?

E Anselmo, do alto da sua importância quase divina, resolvia:

—Póde sair, homem; vá descançado que não chove.

Ou então:

—Deixe-se ficar; o barómetro desceu e temos água.

Sei até de pessoas que atribuiam tamanha autoridade a Anselmo em assuntos meteorológicos, que havendo resposta negativa chegavam a observar-lhe: