—Demónio! Faz-me tanta falta agora não poder sair... Se isso fôsse coisa que se pudesse arranjar, sr. Anselmo...
Êle não se perturbava, não achava aquilo de mais, respondia:[{44}]
—Tenha paciência, homem, resigne-se; para outra vez será. Tenha paciência.
Quem é que sentia frio ou se queixava de calor emquanto Anselmo não manifestasse que sim, que estava calor ou que havia frio?—Anselmo batia o dente? Venham os jaquetões, os agasalhos, os capotes... Anselmo transpirava? As janelas logo se abriam e largavam-se os cobertores, as brazeiras...
Não era só respeito—era mêdo!
Nessa altura, por exemplo, o boticário decretára que havia um calor excessivo. Toda a gente entrou a dizer que era de mais, que uma tal temperatura se não aturava, uff! que havia um calor excessivo...
Certo dia Anselmo lembrou na farmácia que «talvez andando nu...». Pois surpreendi gente digna, disposta a seguir-lhe o conselho, quase a pôr-se como êle dizia...
Pela uma hora Anselmo examinava o termómetro (chamava-lhe: a coluna) primeiro à sombra, metódicamente, em seguida aos raios directos do sol, na soleira da porta.
Freguês que após esta operação penetrasse[{45}] na farmácia era antes de mais nada avisado pelo Anselmo dos graus que atingira a temperatura ambiente:
—Já sabe?... 30 à sombra e 50 ao sol!... É de rachar!