E cheio de provas, revoltado:.
—Admite-se lá que se tire assim o pão a tanta gente, que se lance na miséria tanto português, tanto padre com mulher e filhos... perdão (emendava): com família numerosa.
Em volta houve um silêncio aprovativo.
Tudo mudára, na verdade...
Um dia, Anselmo andava passeando na farmácia,[{77}] as mãos atrás das costas, a meditar no futuro do país. O barómetro marcava tempo sêco—e lá fora chovia! A coluna indicava uma temperatura alta, e Anselmo tinha a certeza de que era falso. Aquilo queria dizer que andava tudo às avessas, que ninguêm se entendia neste país, que a indisciplina reinava—até no tempo!
Não havia doentes: há 15 dias que o movimento farmacológico era insignificante. Assim, a própria ociosidade colaborava nos acontecimentos, gerando nos cérebros ideias insubmissas...
—V. Ex.ª é que é o sr. Anselmo Nogueira?—perguntou a meia voz um desconhecido que entrou, descobrindo-se.
—Eu mesmo em carne e osso. Ponha o seu chapéu. Que deseja?
Mas logo, reconsiderando, medindo-o, fez pé atrás como quem desconfia do sujeito e se prepara para se pôr a salvo, no caso de perigo.
—Não se assuste, disse-lhe o recem-chegado, observando aquele gesto,—eu não sou quem pensa... pelo contrário.[{78}]