—Vai a senhora, rosnou, de mau humor.

E abafou-se na roupa.

O médico veio e receitou: era intestino. Como republicano, falou do caso. Anselmo, mordido de curiosidade, desejou conhecer toda a acção nos mínimos detalhes: quantos eram, quem vinha, quem comandava e por último, convencido da derrota, da inanidade daquele esfôrço ridículo, perguntou:

—E dos nossos, quem foi?

—Dos nossos?! interrogou o médico, sem perceber.

—Sim, dos rèpublicanos: quem é que o govêrno mandou a correr aquela tropa fandanga a ponta-pé?

O médico, que era um homem distraído, respondeu com indiferença:[{84}]

—Não sei; creio que ninguêm; nem se pensou em tal, ilustre correligionário...

Á tarde, Anselmo poude sair. Não tinha febre. O intestino desatou a funcionar melhor e nem foi preciso medicar-se.

—Mas que ideia aquela, dizia êle, no club, a uma roda de amigos embasbacados,—que ideia aquela da restauração! São doidos!... A Rèpública tem, não há dúvida, alguns defeitos, sou eu o primeiro a reconhecê-lo; mas tirem-se-lhe! O que todos devemos fazer é trabalhar para que as novas instituições sejam aquilo para que as creámos.—Não é isso, Teotónio? rematou, voltando-se para mim, que o escutava transido.