Houve um silêncio.
—O sr. não andou bem, Hipólito, confesse, não andou bem...
—Eu?...
—É claro.
—Na sua opinião, pelo menos, doutor... Já me cheguei a convencer de que sou rialmente um canalha... pois que como tal procedo...
—Leviandades, leviandades...—atenuou o médico.—Eu habituei-me a ver em Maria Cândida uma espécie de filha, desde muito[{110}] nova. Não admira. Tive-a nos braços quando nasceu, pequenina, vi-a depois medrar, crescer, fazer-se mulher à minha vista—afeiçoei-me. Que quer? Emfim...—limpou uma lágrima que lhe rolou ao comprido da face—coisas da vida!
Depois, apreensivo:
—O sr. o que pensa fazer agora?...
Hipólito ficou sem responder, um bocado, com o espírito absorvido num pensamento cruel e longínquo, que o fazia empalidecer.
—Vou confiar-lhe um segrêdo, disse, por fim, numa resolução firme.—Devo-lhe muitas atenções e custar-me-ia sinceramente que o doutor ficasse formando de mim um conceito menos lisongeiro...