—De certo, Albernaz, não é possivel continuar assim... Então, mette-se um sujeito num navio, assesta os canhões p'ra terra e diz: sai d'ahi seu presidente; e o homem vai sahindo?... Não! É preciso um exemplo....
—Eu penso tambem da mesma maneira, Caldas. A Republica precisa ficar forte, consolidada... Esta terra necessita de Governo que se faça respeitar... É incrivel! Um paiz como este, tão rico, talvez o mais rico do mundo, é, no emtanto, pobre, deve a todo o mundo... Porque? Por causa dos Governos que temos tido que não têm prestigio, força... É por isso.
Vinham andando, á sombra das grandes e magestosas arvores do parque abandonado; ambos fardados e de espada. Albernaz, depois de um curto intervallo, continuou:
—Você viu o imperador, o Pedro II... Não havia jornaleco, pasquim por ahi, que o não chamasse de «banana» e outras cousas... Sahia no Carnaval... Um desrespeito sem nome! Que aconteceu? Foi-se como um intruso.
—E era um bom homem, observou o Almirante. Amava o seu paiz... Deodoro nunca soube o que fez.
Continuavam a andar. O Almirante coçou um dos favoritos e Albernaz olhou um instante para todos os lados, accendeu o cigarro de palha e retomou a conversa:
—Morreu arrependido... Nem com a farda quiz ir para a cóva!... Aqui para nós que ninguem nos ouve: foi um ingrato; o Imperador tinha feito tanto por toda a familia, não acha?
—Não ha duvida nenhuma!... Albernaz, você quer saber de uma cousa: estavamos melhor naquelle tempo, digam lá o que disserem...
—Quem diz o contrario? Havia mais moralidade... Onde está um Caxias? um Rio Branco?
—E mais justiça mesmo, disse com firmeza o Almirante. O que eu soffri, não foi por causa do velho, foi a canalha... Demais, tudo barato...