Ás vezes até levava-os em casa. Os mediuns chegavam perto da moça, davam um estremeção, ficavam com uns olhos desvairados, fixos, gritavam: sai, irmão!—e sacudiam as mãos, do peito para a moça, de lá para cá, rapidamente, nervosamente, no intuito de descarregar sobre ella os fluidos milagrosos.

Os feiticeiros tinham outros passes e as ceremonias para entrar no conhecimento das forças occultas que nos cercam, eram demoradas, lentas e acabadas. Em geral, eram pretos africanos. Chegavam, accendiam um fogareiro no quarto, tiravam de um cesto um sapo empalhado ou outra cousa exquisita, batiam com feixes de hervas, ensaiavam passos de dança e pronunciavam palavras inintelligiveis. O ritual era complicado e tinha a sua demora.

Na sahida, a pobre D. Maricota, um tanto já diminuida da sua actividade e diligencia, olhando, ternamente aquelle grande rosto negro do mandigueiro, onde a barba branca punha mais veneração e certa grandeza, perguntava:

—Então, titio?

O preto considerava um instante, como se estivesse recebendo as ultimas communicações do que não se vê nem se percebe, e dizia com a sua magestade de africano:

—Vó vê, nhã nhã... Tô crôtando mandinga...

Ella e o General tinham assistido a ceremonia e o amor de paes e tambem esse fundo de superstição que ha em todos nós, levavam a olhal-a com respeito, quasi com fé.

—Então foi feitiço que fizeram á minha filha? perguntava a senhora.

—Foi, sim, nhãnhã.

—Quem?