Essa idéa levou-o a estudar os costumes tupinambás; e, como uma idéa traz outra, logo ampliou o seu proposito e eis a razão porque estava organizando um codigo de relações, de cumprimentos, de cerimonias domesticas e festas, calcado nos preceitos tupys.

Desde dez dias que se entregava a essa ardua tarefa, quando (era domingo) lhe bateram á porta, em meio de seu trabalho. Abriu, mas não apertou a mão. Desandou a chorar, a berrar, a arrancar os cabellos, como se tivesse perdido a mulher ou um filho. A irmã correu lá de dentro, o Anastacio tambem, e o compadre e a filha, pois eram elles, ficaram estupefactos no limiar da porta.

—Mas que é isso, compadre?

—Que é isso, Polycarpo?

—Mas, meu padrinho...

Elle ainda chorou um pouco. Enxugou as lagrimas e, depois, explicou com a maior naturalidade:

—Eis ahi! Vocês não têm a minima noção das cousas da nossa terra. Queriam que eu apertasse a mão... Isto não é nosso! Nosso cumprimento é chorar quando encontramos os amigos, era assim que faziam os tupinambás.

O seu compadre Vicente, a filha e D. Adelaide entreolharam-se, sem saber o que dizer. O homem estaria doido? Que extravagancia!

—Mas, Sr. Polycarpo, disse-lhe o compadre, é possivel que isto seja muito brasileiro, mas é bem triste, compadre.

—De certo, padrinho, accrescentou a moça com vivacidade; parece até agouro...