Sahiu abatido, como um criminoso, do gabinete do Coronel, que não deixava de olhal-o furiosamente, indignadamente, ferozmente, como quem foi ferido em todas as fibras do seu ser. Sahiu afinal. Chegando á sala do trabalho nada disse; pegou no chapéo, na bengala e atirou-se pela porta afóra, cambaleando como um bebedo. Deu umas voltas, foi ao livreiro buscar uns livros. Quando ia tomar o bonde encontrou o Ricardo Coração dos Outros.
—Cedo, hein Major?
—É verdade.
E calaram-se ficando um diante do outro num mutismo contrafeito. Ricardo avançou algumas palavras:
—O Major, hoje, parece que tem uma idéa, um pensamento muito forte.
—Tenho, filho, não de hoje, mas de ha muito tempo.
—É bom pensar, sonhar consola.
—Consola, talvez; mas faz-nos tambem differentes dos outros, cava abysmos entre os homens...
—E os dous separaram-se. O Major tomou o bonde e Ricardo desceu descuidado a rua do Ouvidor, com o seu passo acanhado e as calças dobradas nas canellas, sobraçando o violão na sua armadura de camurça.