«Oh tu, quem quer que sejas, se a piedade «Entrada pode ter dentro em teu peito, «De uma innocente a misera orfandade, «Desamparo, e miseria tem respeito! «Sei que cahi na tua potestade; «Mas antes de sentir o seu effeito «Morrerei!......» Disse, e as renascidas rosas Pudibunda escondeu nas mãos formosas.
«Que do Deus que nos ouve um raio ardente «Te vingue, e me anniquille neste instante, «Se um sentimento indigno esta alma sente «De que haja de córar o teu semblante! «Perde o terror, oh Virgem, tens presente «Um amigo, um irmão cuja constante «Ambição será só de obedecer-te «E contra qualquer perigo defender-te!»
Assim fallou Ruy, e alevantando A prostrada Fatima, em mil maneiras Foi seu terror primeiro dissipando, Com gestos, com palavras verdadeiras. N'um penedo que cobre o musgo brando A Virgem se assentou, co'as lisongeiras Expressões de Ruy cobrando alento, Sentiu raiar a esperança em seu tormento.
FIM DO SEGUNDO CANTO.
CANTO TERCEIRO.
Onde está aquella imagem pura, e bella Artificio divino entre nós raro? Onde aquelle olhar brando, que tão caro Me foi, e o resplendor de hua e outra estrella?
Ferreira, Soneto, 15.º