FIM DO QUINTO CANTO.

CANTO SEXTO.

Tal está morta e pallida Donzella, Seccas do rosto as rosas, e perdida A branca e viva côr co'a doce vida.

Camões, Lus., C. 3.º, E. 134.ª

oberbo ondeia a crina fluctuante De Ruy o ginete bellicoso, Atravez da floresta segue ovante No accelerado trote pressuroso. Excita o nobre bruto o ledo amante, Vivo obedece o animal fogoso Á redea, ha tanto tempo abandonada, Que outra vez com vigor sente empunhada.

Seguindo vai o nobre aventureiro Transportado de goso e de alegria A direcção do campo, que o guerreiro Povo de Christo alevantado havia. Doce aspecto, risonho e lisongeiro, Em vez da dôr, lhe exalta a fantezia, Todo quanto carpira, quanto amára A fortuna propicia lhe entregára.

Do ginete nas ancas assentada Levar se deixa de Hauzeri a filha, Entregue a amor, e por amor guiada, Suave esperança nos seus olhos brilha. O rosto lindo, a fórma delicada Da natura primor, e maravilha, A pár do Cavalleiro armado e forte, Realisam Cyprina com Mavorte.

Sob o braço da Bella, que o estreita, O coração do moço arde e palpita, Elle o sente, ella o palpa, e satisfeita Partilha o goso, que innocente excita. Se ella suspira, elle o suspiro aceita, Se olha-la intenta, ella o olhar lhe evita, Pejando-se que lêa o terno amante Nimia expressão de amor em seu semblante.