Assim o bosque frondoso Vão prestes atravessando, Um silencio deleitoso Bella, e amante guardando.

Silencio, que amor prefere Á mais ardente expressão, Que no fundo da alma fere, Que transpassa o coração;

Que identifica, que enlaça Os que a mesma idéa prende, Que a compaixão, que a desgraça, Que amor, que a ternura entende.

Silencio não avalia Alma mesquinha, apoucada, Que sempre placida e fria Do sacro fogo é privada.

Em silencio a natureza Vê rolar no immenso espaço Dos orbes a redondeza Que impelliu do Eterno o braço,

Em silencio a vaga ondosa Rola no lago profundo, Séria a noute magestosa Envolve em silencio o mundo.

Em silencio o vate absorto Antes de pulsar a lira Recebe o influxo e conforto Do talento que o inspira.

Em silencio meditando Alcança o sabio a verdade, Vai-se um silencio mirrando O filho da adversidade.

Silencio da alma nascido, Caracter do sentimento, Tu es o grau mais subido Ou do goso, ou do tormento.

Atraz deixam o bosque, e as claras fontes. Que atravez a verdura vem manando, Co'a varia crista dos erguidos montes, Que se está sobre as nuvens desenhando, Tingem-se de côr varia os horisontes Co'extremo sol nas aguas mergulhando, Os monotonos cumes apparecem Que com o calmoso estio se encalvecem.