E além destes muitos e muitos outros puderamos citar.

Pois se o temor esfria e gela, e primeiro se faz sentir no coração, como diz o nosso Camões e disserão antes, e tem dito depois todos os grandes poetas; com a autoridade do mesmo Camões se prova que, se no campo de Aljubarrota, quando a trombeta Castelhana deo o sinal da batalha, o sangue acudio ao coração dos Portuguezes, e por consequencia se lhes concentrou alli o calor, não foi porque o temor fosse maior, mas, sim, porque era muito menor, que o perigo. E portanto he viciosa a lição vulgar, e a nossa verdadeira.

[P. 187. V. 30.] E vós, pastores deste rudo outeiro] Faria e Sousa. E vós, pastores rudos deste outeiro] 3.ª ed. A lição do poeta he esta.

[P. 188. V. 30.] No tronco de alguma árvore sombria] Faria e Sousa. E no tronco d'uma arvore sombria] 3.ª ed. Esta he a lição verdadeira.

[P. 190 V. 3.] Em vós deixou Minerva o que valia] Faria e Sousa. Em vós deixou Minerva sua valia] 3.ª ed. Porque desprezaria Faria esta lição?

[P. 198. V. 15.] Porque saibas o que he ser amada] Faria e Sousa. Porque saibas que cousa he ser amada] 3.ª ed. Quem hesitará em seguir a lição antiga?

[P. 199. V. 23.] Se humano parecer não se defende] Faria e Sousa. Que ao humano parecer não se defende][{401}] 3.ª ed. Ambas estas lições são viciosas. A que nos parece verdadeira ou pelo menos correcta, he esta:

Se ao humano parecer não se defende.

[P. 200. V. 13.] Porque segues em vão esse cuidado?] Faria e Sousa. Não vés que teu fugir he escusado?] 3.ª ed. A lição antiga he a do poeta.

[P. 200. V. 14.] Pois nunca estás sem mim algum momento] Faria e Sousa. Que sem mim não estás um so momento] 3.ª ed. Este verso he incomparavelmente melhor que o de Faria, e tem o cunho do poeta.