Virâ deſpois Meneſes, cujo ferro
Mais na Africa, que câ terâ prouado:
Caſtigarâ de Ormuz Soberba o erro,
Com lhe fazer tributo dar dobrado:
Tambem tu Gama, em pago do deſterro
Em que eſtâs, & ſerâs inda tornado,
Cos titolos de Conde, & dhonras nobres,
Virâs mandar a terra que deſcobres.

Mas aquella fatal neceſsidade,
De quem ninguems ſe exime dos humanos,
Illuſtrado coa Regia dignidade,
Te tirarâ do mundo & ſeus enganos:
Outro Meneſes logo, cuja ydade
He mayor na prudencia, que nos anos,
Gouernarâ, & farà o ditoſo Henrique,
Que perpetua memoria delle fique.

Não vencerâ ſomente os Malabares,
Deſtruindo Panane, com Coulete,
Cometendo as Bombardas, que nos ares
Se vingão ſo do peito que as comete:
Mas com virtudes certo ſingulares,
Vence os immigos dalma todos ſete,
De cubiça triumpha, & incontinencia,
Que em tal idade he ſuma de excellencia.

Mas deſpois que as estrellas o chamarem,
Socederâs ô forte Mozcarenhas,
E ſe injustos o mando te tomarem,
Prometote que fama eterna tenhas:
Pera teus inimigos confeſſarem
Teu valor alto, o fado quer que venhas
A mandar, mais de palmas coroado,
Que de fortuna juſta acompanhado.

No reino de Bintão, que tantos danos
Terâ a Malaca muito tempo feitos,
Num ſo dia as injurias de mil anos
Vingarâs, co valor de illuſtres peitos,
Trabalhos & perigos inhumanos,
Abrolhos ferreos mil, paſſos estreitos,
Tranqueiras, Baluartes, lanças, Setas,
Tudo fico que rompas & ſometas.

Mas na India cubiça & ambição,
Que claramente poem aberto o rosto
Contra Deos, & Iustiça, te farão
Vituperio nenhum, mas ſo deſgoſto:
Quem faz injuria vil, & ſem rezão
Com forças & poder, em que estâ poſto,
Não vence, que a vitoria verdadeira,
He ſaber ter juſtiça nua, & inteira.

Mas com tudo não nego que Sampayo
Serâ no esforço illuſtre, & aſinalado,
Mostrando ſe no mar hum fero rayo,
Que de inimigos mil verâ qualhado:
Em Bacanôr farâ cruel enſayo
No Malabar, pera que amedrontado
Deſpois a ſer vencido delle venha
Cutiâle, com quanta armada tenha.

E não menos de Dio a fera frota
Que Chaul temerâ de grande & ouſada,
Farâ coa viſta ſo perdida & rota,
Por Heitor da Silueira, & destroçada:
Por Heitor Portugues, de quem ſe nota,
Que na Coſta Cambaica ſempre armada,
Serâ aos Guzarates tanto dano,
Quanto ja foy aos Gregos o Troyano.

A Sampayo feroz ſocederà
Cunha, que longo tempo tem o leme,
De Chale as torres altas erguerâ,
Em quanto Dio illustre delle treme,
O forte Baçaîm ſe lhe darâ,
Não ſem ſangue porem, que nelle geme
Melique, porque a força ſo de eſpada
A tranqueira ſoberba ve tomada.

Tras eſte vem Noronha, cujo Auſpicio
De Dio os Rumes feros afugenta,
Dio que o peito & bellico exercicio
De Antonio da ſilueira bem ſuſtenta:
Farâ em Noronha a morte o vſado officio,
Quando hum teu ramo, ô Gama, ſe eſprimẽta
No gouerno do Imperio, cujo zelo
Com medo o roxo mar farâ amarelo,