Os ilhaes da féra arfam de fadiga, a espuma franja-lhe a bocca, as pernas vergam e resvalam, e os olhos amortecem de cansaço. O ancião zomba da sua furia. Calculando as distancias, frustra-lhe todos os golpes sem recuar um passo.

O combate demora-se.

A vida dos espectadores resume-se nos olhos.

Nenhum ousa desviar a vista de cima da praça.

A immensidade da catastrophe immobilisa todos.

De subito solta el-rei um grito e recolhe-se para dentro da tribuna. O velho aparava a peito descoberto a marrada do touro, e quasi todos ajoelharam para resarem por alma do ultimo marquez de Marialva.

A afflictiva pausa apenas durou momentos. Por entre as nevoas, de que a pupilla tremula se embaciava, viu-se o homem crescer para a fera, a espada fuzilar nos ares e logo apóz sumir-se até aos copos entre a nuca do animal. Um bramido, que atroou{184} o circo, e o baque do corpo agigantado na arena, encerraram o extremo acto do funesto drama.

Clamores unisonos saudaram a victoria. O marquez, que tinha dobrado o joelho, com a força do golpe levantava-se mais branco do que um cadaver. Sem fazer caso dos que o rodeiavam, tornou a abraçar-se com o corpo do filho, banhando-o de lagrimas e cobrindo-o de beijos.

O touro ergueu-se, e, cambaleando com a sezão da morte, veiu apalpar o sitio aonde queria expirar. Ajuntou ali os membros e deixou-se cair sem vida ao lado do cavallo do conde dos Arcos.

N'esse momento os espectadores olhando para a tribuna real estremeceram. El-rei, de pé e muito pallido, tinha junto de si o marquez de Pombal, coberto de pó e com signaes de ter viajado depressa.