A viagem.
Mal recomeçára Luiz Alves a leitura dos autos, entrou no gabinete o criado apresentando-lhe um bilhete de visita.
—Que entre! disse o advogado lendo o nome do sobrinho da baroneza.
E logo se ouviu no corredor o passo medido e lento do mancebo, que d'ahi a nada assomava á porta do gabinete, fazendo uma cortezia, sisuda, mas graciosa.
—Venho incommoda-lo, doutor? perguntou Jorge.
—Pelo amor de Deus! exclamou o advogado erguendo-se e indo buscal-o á porta. Não me incommodaria em caso nenhum; agora, sobretudo, que a leitura de uns papeis me fatigou sobre maneira, a maior fortuna que eu poderia desejar é a presença de um homem de espirito.
Jorge agradeceu este comprimento um pouco emphatico, e retribuiu-o com outra lisonjaria muito mais extensa e de maior alcance. Quer dizer que elle vinha pedir alguma cousa. Effectivamente, passados os minutos de introito e desfiadas as generalidades, Jorge impertigou-se mais do que até alli estivera e desfechou esta pergunta abrupta:
—Sabe que venho pedir-lhe uma cousa grave?
Luiz Alves inclinou-se.
—Grave e simples ao mesmo tempo, continuou o sobrinho da baroneza; mas antes disso precisava saber se é tão amigo da nossa familia, como ella o é do senhor.