Chegavam justamente á porta de Ayres; este mandou parar o vehiculo, pagou pela tabella e desceu. Subindo a escada, ia naturalmente pensando nos acontecimentos possiveis. No alto achou o criado que sabia tudo, e lhe perguntou se era certo...

—O que é que não é certo, José? É mais que certo.

—Que matáram trez ministros?

—Não; ha só um ferido.

—Eu ouvi que mais gente tambem, falaram em dez mortos...

—A morte é um phenomeno egual á vida; talvez os mortos vivam. Em todo caso, não lhes rezes por alma, porque não és bom catholico, José.


[CAPITULO LXI]

Lendo Xenophonte

Como é que, tendo ouvido falar da morte de dous e trez ministros, Ayres affirmou apenas o ferimento de um, ao rectificar a noticia do criado? Só se póde explicar de dous modos,—ou por um nobre sentimento de piedade, ou pela opinião de que toda a noticia publica cresce de dous terços, ao menos. Qualquer que fosse a causa, a versão do ferimento era a unica verdadeira. Pouco depois passava pela rua do Cattete a padiola que levava um ministro, ferido. Sabendo que os outros estavam vivos e sãos e o imperador era esperado de Petropolis, não acreditou na mudança de regimen que ouvira ao cocheiro de tilbury e ao criado José. Reduziu tudo a um movimento que ia acabar com a simples mudança de pessoal.