—Temos gabinete novo, disse comsigo.

Almoçou tranquillo, lendo Xenophonte: «Considerava eu um dia quantas republicas tem sido derribadas por cidadãos que desejam outra especie de governo, e quantas monarchias e olygarchias são destruidas pela sublevação dos povos; e de quantos sobem ao poder, uns são depressa derribados, outros, se duram, são admirados por habeis e felizes...» Sabes a conclusão do autor, em prol da these de que o homem é difficil de governar; mas logo depois a pessoa de Cyro destróe aquella conclusão, mostrando um só homem que regeu milhões de outros, os quaes não só o temiam, mas ainda lutavam por lhe fazer as vontades. Tudo isto em grego, e com tal pausa que elle chegou ao fim do almoço, sem chegar ao fim do primeiro capitulo.


[CAPITULO LXII]

«Pare no D.»

—Mas, S. Ex. está almoçando, dizia o criado no patamar da escada a alguem que pedia para falar ao conselheiro.

Era falso, Ayres acabava justamente de almoçar; mas o criado sabia que o amo gostava de saborear o charuto depois do almoço, sem interrupção. Agora estava no canapé e ouviu o dialogo do patamar. A pessoa insistia em dizer uma palavrinha.

—Não póde ser.

—Bem, eu espero; logo que S. Ex. acabe...

—O melhor é voltar depois; não mora alli defronte? Pois volte daqui a uma hora ou duas...