A pessoa era o Custodio e foi para casa, mas o velho diplomata, sabendo quem era, não esperou que acabasse o charuto; mandou-lhe dizer que viesse. Custodio saiu, correu, subiu e entrou assombrado.

—Que é isso, Sr. Custodio? disse-lhe Ayres. O senhor anda a fazer revoluções?

—Eu, senhor? Ah! senhor! Se V. Ex. soubesse...

—Se soubesse o quê?

Custodio explicou-se. Vá, resumamos a explicação.

Na vespera, tendo de ir abaixo, Custodio foi á rua da Assembléa, onde se pintava a taboleta. Era já tarde; o pintor suspendera o trabalho. Só algumas das letras ficaram pintadas,—a palavra Confeitaria e a letra d. A letra o e a palavra imperio estavam só debuxadas a giz. Gostou da tinta e da côr, reconciliou-se com a fórma, e apenas perdoou a despeza. Recommendou pressa. Queria inaugurar a taboleta no domingo.

Ao acordar de manhã não soube logo do que houvera na cidade, mas pouco a pouco vieram vindo as noticias, viu passar um batalhão, e creu que lhe diziam a verdade os que affirmavam a revolução e vagamente a republica. A principio, no meio do espanto, esqueceu-lhe a taboleta. Quando se lembrou della, viu que era preciso sustar a pintura. Escreveu ás pressas um bilhete e mandou um caixeiro ao pintor. O bilhete dizia só isto: «Pare no D.» Com effeito, não era preciso pintar o resto, que seria perdido, nem perder o principio, que podia valer. Sempre haveria palavra que occupasse o logar das letras restantes. «Pare no D.»

Quando o portador voltou trouxe a noticia de que a taboleta estava prompta.

—Você viu-a prompta?

—Vi, patrão.