—Então, como? Apanhar sempre, não é?

—Não, senhor; não quero pancadas; o melhor é que esqueçam tudo e se queiram bem. Você não vê como seus paes se querem? As brigas acabaram de todo. Não quero ouvir rusgas nem queixas. Afinal que tem vocês com um sujeito mau que morreu ha tantos annos?

—É o que eu digo, mas elle não se emenda.

—Ha de emendar-se; os estudos fazem esquecer creancices. Você tambem quando fôr medico tem muito que brigar com as molestias e a morte; é melhor que andar dando pancada em seu irmão... Que é lá isso? Não quero arremeços, Pedro! Socegue, ouça-me.

—Mamãe é sempre contra mim.

—Não sou contra nenhum, sou por ambos, ambos são meus filhos. E demais gemeos. Anda cá, Pedro. Não penses que eu desapprovo as tuas opiniões politicas. Até gósto; são as minhas, são as nossas. Paulo ha de tel-as tambem. Na edade delle acceita-se quanta tolice ha, mas o tempo corrige. Olha, Pedro, a minha esperança é que vocês sejam grandes homens, mas com a condição de serem tambem grandes amigos.

—Eu estou prompto a ser grande homem, assentiu Pedro com ingenuidade, quasi com resignação.

—E grande amigo tambem.

—Se elle fôr, serei.

—Grandes homens! exclamou Natividade, dando-lhe dous abraços, um para elle, outro para o irmão quando viesse.