Mas Paulo veiu logo, e recebeu o abraço inteiro e de verdade. Vinha tambem queixar-se, e sempre resmungou alguma cousa, mas a mãe não quiz ouvil-o, e falou outra vez a linguagem das grandezas. Paulo consentiu tambem em ser grande.

—Você será medico, disse Natividade a Pedro, e você advogado. Quero ver quem faz as melhores curas, e ganha as peiores demandas.

—Eu, disseram ambos a um tempo.

—Patetas! Cada um terá a sua carreira especial, a sua sciencia differente. Já estão curados do nariz? Já; não ha mais sangue. Agora o primeiro que ferir seu irmão será degradado.

Foi um recurso habil separal-os; um ficava no Rio, estudando medicina, outro ia para S. Paulo, estudar direito. O tempo faria o resto, não contando que cada um casava e iria com a mulher para o seu lado. Era a paz perpetua; mais tarde viria a perpetua amizade.


[CAPITULO XXVII]

De uma reflexão intempestiva

Eis aqui entra uma reflexão da leitora: «Mas se duas velhas gravuras os levam a murro e sangue, contentar-se-hão elles com a sua esposa? Não quererão a mesma e unica mulher?»

O que a senhora deseja, amiga minha, é chegar já ao capitulo do amor ou dos amores, que é o seu interesse particular nos livros. Dahi a habilidade da pergunta, como se dissesse: «Olhe que o senhor ainda nos não mostrou a dama ou damas que têm de ser amadas ou pleiteadas por estes dous jovens inimigos. Já estou cançada de saber que os rapazes não se dão ou se dão mal; é a segunda ou terceira vez que assisto ás blandicias da mãe ou aos seus ralhos amigos. Vamos depressa ao amor, ás duas, se não é uma só a pessoa...»