—Não vale a pena, moço; o que importa é que cada um tenha a suas ideias e se bata por ellas, até que ellas vençam. Agora que outros as interpretem mal é cousa que não deve affligir o autor.
—Affligir, sim, senhor; pôde parecer que é assim mesmo... Vou escrever um artigo a proposito de qualquer cousa, e não deixarei duvidas...
—Para que? inquiriu Ayres.
—Não quero que supponham...
—Mas quem duvida dos seus sentimentos?
—Podem duvidar.
—Ora, qual! Em todo caso, vá primeiro almoçar commigo um dia destes... Olhe, vá domingo, e seu irmão Pedro tambem. Seremos trez á meza, um almoço de rapazes. Beberemos certo vinho que me deu o ministro da Allemanha...
No domingo fôram os dous ao Cattete, menos pelo almoço que pelo amphytrião. Ayres era amado dos dous; gostavam de ouvil-o, de interrogal-o, pediam-lhe anecdotas politicas de outro tempo, descripção de festas, noticias de sociedade.
—Vivam os meus dous jovens, disse o conselheiro, vivam os meus dous jovens que não esqueceram o amigo velho. Papae como está? E mamãe?
—Estão bons, disse Pedro.