Se ha muito riso quando um partido sobe, tambem ha muita lagrima do outro que desce, e do riso e da lagrima se faz o primeiro dia da situação, como no Genesis. Venhamos ao evangelista que serve de titulo ao capitulo. Os liberaes fôram chamados ao poder, que os conservadores tiveram de deixar. Não é mister dizer que o abatimento de Baptista foi enorme.
—Justamente agora que eu tinha esperanças, disse elle á mulher.
—De quê?
—Ora de quê! de uma presidencia. Não disse nada, porque podiam falhar, mas é quasi certo que não. Tive duas conferencias, não com ministros, mas com pessoa influente que sabia, e era negocio de esperar um mez ou dous...
—Presidencia boa?
—Boa.
—Se você tivesse trabalhado bem...
—Se tivesse trabalhado bem, podia estar já de posse, mas vinhamos agora a toque de caixa.
—Isso é verdade, concordou D. Claudia olhando para o futuro.
Baptista passeava, as mãos nas costas, os olhos no chão, suspirando, sem prever o tempo em que os conservadores tornariam ao poder. Os liberaes estavam fortes e resolutos. As mesmas ideias pairavam na cabeça de D. Claudia. Este casal só não era egual na vontade; as ideias eram muitas vezes taes que, se apparecessem cá fóra, ninguem diria quaes eram as delle, nem quaes as della, pareciam vir de um cerebro unico. Naquelle momento nenhum achava esperança immediata ou remota. Uma só ideia vaga... E foi aqui que a vontade de D. Claudia fincou os pés no chão e cresceu. Não falo só por imagem; D. Claudia levantou-se da cadeira, rapida, e disparou esta pergunta ao marido: