—Mas, Baptista, você o que é que espera mais dos conservadores?
Baptista parou com um ar digno e respondeu com simplicidade:
—Espero que subam.
—Que subam? Espera oito ou dez annos, o fim do seculo, não é? E nessa occasião você sabe se será aproveitado? Quem se lembrará de você?
—Posso fundar um jornal.
—Deixe-se de jornaes. E se morrer?
—Morro no meu posto de honra.
D. Claudia olhou fixa para elle. Os seus olhos miudos enterravam-se pelos delle abaixo, como duas verrumas pacientes. Subito, levantando as mãos abertas:
—Baptista, você nunca foi conservador!
O marido empallideceu e recuou, como se ouvira a propria ingratidão de um partido. Nunca fôra conservador? Mas que era elle então, que podia ser neste mundo? Que é que lhe dava a estima dos seus chefes? Não lhe faltava mais nada... D. Claudia não attendeu a explicações; repetiu-lhe as palavras, e accrescentou.