—Mas que dizia a carta?

Pedro leu-lhe o ponto principal, que era quasi toda a carta; falava da questão militar. Já havia a «questão militar», um conflicto de generaes e ministros, e a linguagem de Paulo era contra os ministros.

—Mas porque é que o senhor foi mostrar essa carta a sua mãe?

—Mamãe quiz saber o que é que elle me dizia.

—E sua mãe zangou-se, ahi está; vae talvez reprehendel-o.

—Tanto melhor; Paulo precisa ser emendado; mas, diga-me, porque é que a senhora defende sempre a meu irmão?

—Para ter o direito de defender tambem ao senhor.

—Então elle já lhe tem falado mal de mim?

Flora quiz dizer que sim, depois que não, afinal calou. Desconversou, perguntando porque elles se davam mal. Pedro negou que se dessem mal. Ao contrario, viviam bem. Não teriam as mesmas opiniões, e tambem podia ser que tivessem o mesmo gosto... Daqui a dizer que ambos a amavam era uma virgula; Pedro pingou o ponto final. Esse astuto era tambem timido. Mais tarde, comprehendeu que, calando, andou melhor, e deu a si mesmo o applauso da escolha; mas era falso, não escolhera nada. Não digo isto para fazel-o desmerecer; sim, porque o medo acerta muitas vezes, e é mister deixar aqui esta reflexão.

Veiu a zanga. Flora não replicou mais nada, e, por seu gosto, não teria jantado, a tal ponto sentia piedade do outro. Felizmente, o outro era este mesmo, aqui presente, com os olhos presentes, as mãos presentes, as palavras presentes. Não tardou que a zanga fugisse deante da graça, da brandura e da adoração. Bem-aventurados os que ficam, porque elles serão compensados.