[CAPITULO LII]

Um segredo

Eis agora a materia da conspiração. Na rua, ao virem de S. Clemente, foi que Pedro, gastado o melhor do tempo com a carta e o jantar, pôde revelar á moça um segredo:

—Titia disse lá em casa que D. Claudia lhe contára em segredo (não diga nada) que seu pae vae ser nomeado presidente de provincia.

—Não sei nada disso, mas não creio, porque papae é conservador.

—D. Claudia disse a titia que elle é liberal, quasi radical. Parece que a presidencia é certa; ella pediu segredo, e titia, quando nos contou, tambem pediu segredo. Eu tambem lhe peço que não diga nada, mas é verdade.

—Verdade como? Papae não vae com liberaes; o senhor não sabe como papae é conservador. Se elle defende os liberaes é porque é tolerante.

—Se a provincia fosse a do Rio de Janeiro, eu gostaria, porque não era preciso ir morar na Praia Grande, e se elle fosse, a viagem é só de meia hora, eu podia ir lá todos os dias.

—Era capaz?