—Justamente! respondeu a moça.

Um escravo que alli estava trouxe um tamborete, Estacio approximou-se de Helena, que afagava com a mão alva e fina as crinas da egua.

—Como se chama? perguntou ella.

Moema.

Moema!! Ora espere... é um nome indigena, não é?

Estacio fez um signal affirmativo. Helena tinha um pe sobre o tamborete; repetiu ainda o nome da egua, como quem reflectia sobre elle, sem que o irmão percebesse que não era aquillo mais do que um disfarce. De repente; quando elle menos esperava, Helena deu um salto, e sentou-se no selim. A egua alteou o collo, como vaidosa do peso que recebêra. Estacio olhou para a irmã, admirado da agilidade e correcção do movimento, e sem saber ainda o que pensasse daquillo. Helena inclinou-se para elle.

—Fui bem? perguntou sorrindo.

—Não podia ir melhor; mas o que me admira...

As patas de Moema interromperam a reflexão do moço. A cavalleira brandira o chicotinho, e o animal sahíra a trote largo pelo terreiro fora. Estacio, no primeiro momento, deu um passo e estendeu a mão como para tomar a redea ao animal; mas a segurança da moça logo lhe deixou ver que ella não fazia alli os primeiros ensaios. Ficou parado, de longe, a admirar-lhe o garbo e a destreza. No fim de vinte passos, Helena torceu a redea e regressou ao ponto donde sahíra.

—Que tal? disse ella logo que estacou. Terei geito para a equitação?