—Creança!

—Que é isso? Ja aprendeu? interveio D. Ursula do alto da varanda, onde acabava de chegar.

—Estava caçoando comnosco, disse Estacio. Ve como sabe montar?

—Ella sabe tudo, murmurou D. Ursula entre dentes.

Estacio montou no seu cavallo. Consultou o relogio; eram sete horas e meia.

—Permitte que o acompanhe? perguntou Helena.

—Com uma condição, disse elle; é que hade ter juizo. Não quero temeridades; a egua é apparentemente mansa; convem não brincar com ella. Ja vejo que voce é capaz de muitas cousas mais...

—Prometto ir pacificamente.

Helena cumprimentou a tia com um gesto gracioso, deu de redea ao animal e seguiu ao lado do irmão. Transposto o portão, seguiram os dous para o lado de cima, a passo lento. O sol estava encoberto e a manhã fresca. Helena cavalgava perfeitamente; de quando em quando a agua, instigada por ella, adiantava-se alguns passos ao cavallo; Estacio reprehendia a irmã, a seu pesar, porque ao mesmo tempo que temia alguma imprudencia, gostava de lhe ver o airoso do busto e a firme serenidade com que ella conduzia o animal.

—Não me dirá voce, perguntou elle, porque motivo, sabendo montar, pedia-me hontem licções?