Les morts vont vite. Tão depressa enterrei o leiloeiro como o esqueci. Assim foi que escrevendo o dia de hontem, deixei de dizer que no armazem do Fernandes achámos todos os objetos de mana Rita notados e vendidos, e o dinheiro á espera da dona. Pouco é; recebel-o-ha oportunamente. Talvez não houvesse necessidade de escrever isto; fica servindo á reputação do finado.
Outra cousa que me ia esquecendo tambem, e mais principal, porque o oficio dos leilões pode acabar algum dia, mas o de amar não cança nem morre. A culpa foi de mana Rita que, em vez de começar por ahi, só me deu a noticia no largo de S. Francisco, indo a entrar no bonde. Parece que Fidelia mordeu uma pessoa; foram as proprias palavras della.
—Mordeu? perguntei sem entender logo.
—Sim, ha alguem que anda mordido por ella.
—Isso hade haver muitos, retorqui.
Não teve tempo de me dizer nada, trepára ao bonde e o bonde ia sair; apertou-me a mão sorrindo, e disse adeus com os dedos.
24 de Maio, ao meio dia.
Esta manhã, como eu pensasse na pessoa que terá sido mordida pela viuva, veiu a propria viuva ter commigo, consultar-me se devia cural-a ou não. Achei-a na sala com o seu vestido preto do costume e enfeites brancos, fil-a sentar no canapé, sentei-me na cadeira ao lado e esperei que falasse.
—Conselheiro, disse ella entre graciosa e séria, que acha que faça? Que caze ou fique viuva?