—Isto acaba, murmurou ella, vindo para dentro.
Justamente nessa occasião parava um carro á porta, apeava-se uma senhora, ouvia-se a campainha da escada, descia um moleque a abrir a cancella, e subia es escadas D. Maria dos Anjos. D. Benedicta, quando lhe disseram quem era, largou a penna, alvoroçada; vestiu-se á pressa, calçou-se, e foi á sala.
—Com este tempo! exclamou. Ah! isto é que é querer bem á gente!
—Vim sem esperar pela sua visita, só para mostrar que não gosto de cerimonias, e que entre nós deve haver a maior liberdade.
Vieram os comprimentos de estylo, as palavrinhas doces, os afagos da vespera. D. Benedicta não se fartava de dizer que a visita naquelle dia era uma grande fineza, uma prova de verdadeira amisade; mas queria outra, accrescentou dahi a um instante, que D. Maria dos Anjos ficasse para jantar. Esta desculpou-se allegando que tinha de ir a outras partes; demais, essa era a prova que lhe pedia,—a de ir jantar á casa della primeiro. D. Benedicta não hesitou, prometteu que sim, naquella mesma semana.
—Estava agora mesmo escrevendo o seu nome, continuou.
—Sim?
—Estou escrevendo a meu marido, e fallo da senhora. Não lhe repito o que escrevi, mas imagine que fallei muito mal da senhora, que era antipathica, insupportavel, massante, aborrecida... Imagine!
—Imagino, imagino. Pode accrescentar que, apezar de ser tudo isso, e mais alguma cousa, apresento-lhe os meus respeitos.
—Como ella tem graça para dizer as cousas! commentou D. Benedicta olhando para a filha.