—Porque não quero.

—E se mamãe quizer?

—Não quero eu.

—Máu! isso não é bonito, Eulalia.

Eulalia deixou-se estar. O conego ainda tornou ao assumpto, louvou as qualidades do candidato as esperanças da familia, as vantagens do casamento; ella ouvia tudo, sem contestar nada. Mas quando o conego formulava de um modo directo a questão, a resposta invariavel era esta:

—Já disse tudo.

—Não quer?

—Não.

O desconsolo do bom conego era profundo e sincero. Queria casal-a bem, e não achava melhor noivo. Chegou a interrogal-a discretamente, sobre se tinha alguma preferencia em outra parte. Mas Eulalia, não menos discretamente, respondia que não, que não tinha nada; não queria nada; não queria casar. Elle creu que era assim, mas receiou tambem que não fosse assim; faltava-lhe o trato sufficiente das mulheres para lêr atravez de uma negativa. Quando referiu tudo a D. Benedicta, esta ficou assombrada com os termos da recusa; mas tornou logo a si, e declarou ao padre que a filha não tinha vontade, faria o que ella quizesse, e ella queria o casamento.

—Já agora nem espero resposta do pae, concluiu; declaro-lhe que ella ha de casar. Quinta-feira vou jantar com D. Maria dos Anjos, e combinaremos as cousas.