[LUZ ENTRE SOMBRAS]
É noite medonha e escura,
Muda como o passamento
Uma só no firmamento
Tremula estrella fulgura.
Falla aos écos da espessura
A chorosa harpa do vento,
E n'um canto somnolento
Entre as arvores murmura.
Noite que assombra a memoria,
Noite que os medos convida,
Erma, triste, merencoria.
No entanto... minh'alma olvida
Dôr que se transforma em gloria,
Morte que se rompe em vida.
[LYRA CHINEZA][4]
I
O POETA A RIR
(Han-Tiê.)
Taça d'agua parece o lago ameno;
Tem os bambús a fórma de cabanas,
Que as arvores em flôr, mais altas, cobrem
Com verdejantes tectos.
As ponteagudas rochas entre flôres,
Dos pagodes o grave aspecto ostentam...
Faz-me rir ver-te assim, ó natureza,
Cópia servil dos homens.