A UMA MULHER

(Tchê-Tsi.)

Cantigas modulei ao som da flauta,
Da minha flauta d'ebano;
N'ellas minh'alma segredava á tua
Fundas, sentidas mágoas.
Cerraste-me os ouvidos. Namorados
Versos compuz de jubilo,
Por celebrar teu nome, as graças tuas,
Levar teu nome aos seculos.
Olhaste, e meneando a airosa frente,
Com tuas mãos purissimas,
Folhas em que escrevi meus pobres versos
Lançaste ás ondas tremulas.
Busquei então por encantar tu'alma
Uma saphira esplendida,
Fui depôl-a a teus pés... tu descerraste
Da tua boca as perolas.

III

O IMPERADOR

(Tchu-Fu)

Olha. O Filho do Céu, em throno de ouro,
E adornado com ricas pedrarias,
Os mandarins escuta:—um sol parece
De estrellas rodeado.
Os mandarins discutem gravemente
Cousas muito mais graves. E elle? Foge-lhe
O pensamento inquieto e distrahido
Pela janella aberta.
Além, no pavilhão de porcellana,
Entre donas gentis está sentada
A imperatriz, qual flôr radiante e pura
Entre viçosas folhas.
Pensa no amado esposo, arde por vêl-o,
Prolonga-se-lhe a ausencia, agita o leque...
Do imperador ao rosto um sopro chega
De rescendente briza.
«Vem della este perfume,» diz, e abrindo
Caminho ao pavilhão da amada esposa,
Deixa na sala olhando-se em silencio
Os mandarins pasmados.

IV

O LEQUE

(Tan-Jo-Lu.)