—Não tenho troco, disse o outro.

—Não precisa dar troco, acudiu Rubião com um gesto soberano; tire o que houver de pagar á casa, e o resto é seu.


[CAPITULO CXLVII]

Ficando só, Rubião atirou-se a uma poltrona, e viu passar muitas cousas sumptuosas. Estava em Biarritz ou Compiègne, não se sabe bem; Compiègne, parece. Governou um grande Estado, ouviu ministros e embaixadores, dansou, jantou,—e assim outras acções narradas em correspondencias de jornaes, que elle lera e lhe ficaram de memoria. Nem os ganidos de Quincas Borba logravam espertal-o. Estava longe e alto. Compiègne era no caminho da lua. Em marcha para a lua!


[CAPITULO CXLVIII]

Quando desceu da lua, ouviu os ganidos do cachorro e sentiu frio nos queixos. Correu ao espelho e verificou que a differença entre a cara barbada e a cara lisa era grande mas que, assim lisa, não lhe afiava, mal. Os comensaes chegaram á mesma conclusão.

—Está perfeitamente bem! Ha muito que devia ter feito isso. Não é que as barbas grandes lhe tirassem a nobreza do rosto; mas, assim como está agora, tem o que tinha, e mais um tom moderno...

—Moderno, repetiu o amphytrião.