—Estou.
—Não creio, tornou Luiz Garcia depois de um instante.
—Porque não? Ella conta com a distancia e o tempo, para matar um amor que suppõe não haver creado raizes profundas.
Luiz Garcia dera alguns passos, acompanhado pelo filho de Valeria; parou um instante, depois continuaram ambos a passear de um para outro lado. O primeiro reflectia na explicação, que lhe pareceu verosimil, se o amor do rapaz era indigno de seu nome. Essa pergunta não se animou a fazel-a; mas procurou uma vereda tortuosa para ir dar com ella.
—Uma viagem á Europa, observou Luiz Garcia depois de curto silencio, produziria o mesmo resultado, sem outro risco mais que...
—Recusei a viagem; foi então que ella pensou na guerra.
—Mas se ella quizesse ir á Europa, o senhor recusaria acompanhal-a?
—Não; mas mamãe detesta o mar; não viajaria nunca. É possivel que, se eu resistisse até á ultima, em relação á guerra, ella vencesse a repugnancia ao mar e iriamos os dous...
—E porque não resistiu?
—Primeiramente, porque estava cançado de recusar. Ha mez e meio que dura esta luta entre nós. Hoje, á vista das noticias do sul, falou-me com tal instancia que cedi de uma vez. A segunda razão foi um sentimento mau—mas justificavel. Escolho a guerra, afim de que se alguma cousa me acontecer, ella sinta o remorso de me haver perdido.