—Não podia attribuir-lhe outro motivo, redarguiu Jorge sorrindo.
—Não ficou mal commigo?
—Mal? A prova é que se dependesse de mim casal-o, casava-o amanhã mesmo.
Procopio Dias agradeceu-lhe a sympathia e o obsequio, e saiu. Jorge foi dalli vestir-se para ir passar alguns minutos no escriptorio. Emquanto se vestia, pensava na situação do ex-fornecedor do exercito. Não eram amigos, mas o caso de Procopio Dias interessava-o; era sympathico a seus olhos. Não indagou se essa sympathia brotava do medo; persuadia-se ingenuamente do contrario. Um marido apaixonado e opulento! Duas vantagens que uma moça nas condições de Yayá, devia acceitar com ambas as mãos. Talvez Procopio Dias não fosse mal acceito ao coração da moça; sómente, havia nesta uns vestigios de creança, que o tempo devia apagar.
—Naquella edade um pretendente é uma especie de boneca, dizia Jorge atando a gravata; o que é preciso, a todo trance, é fazer da boneca um esposo.
Chegando ao escriptorio, ao meio dia, Jorge encontrou o Sr. Antunes consternado. Tinha dormido até onze horas, chegara tarde á casa em que trabalhava, o patrão convidara-o a fazer as contas. Era uma pequena casa de commercio, onde o Sr. Antunes, que entendia de escripturação mercantil, trabalhava desde algum tempo, graças ao obsequio de Jorge:
—Mas já foi despedido? perguntou este.
—Devo fazer as minhas contas e retirar-me no fim do mez.
Jorge escreveu duas linhas ao patrão do Sr. Antunes. De tarde, foi este a Santa Thereza. Jorge ia sentar-se á mesa do jantar; o Sr. Antunes já tinha jantado, mas acompanhou-o.
—Venha, venha, disse o moço; preciso ralhar-lhe.