A resposta de Jorge foi um simples gesto negativo. Comtudo, não pode zangar-se, porque sentia tremer o braço da moça, e olhando de esguelha para ella via-a pallida e com os olhos no chão. Se a pallidez e o tremor eram de colera não chegou a sabel-o; mas provavelmente não era outra cousa porque ao cabo de tres a quatro minutos, Yayá ergueu os olhos e estendeu-lhe a mão, dizendo:
—Façamos as pazes.
—Nunca estivemos em guerra, acho eu.
—Talvez em vespera da guerra.
—Não por culpa minha...
—Nem minha, acudiu a moça. E erguendo o chapellinho do sol para o ceu. Talvez por culpa daquelle, disse ella suspirando.
Após o suspiro, veiu uma risadinha secca e forçada, mas longa ainda assim como o som de um golpe no crystal. Tinham andado poucos minutos e esses poucos eram já de sobra para espertar a curiosidade de Jorge, e para lhe dar direito a pedir uma explicação. Jorge pediu-lh'a em termos affectuosos, perguntando por que razão era o ceu culpado em uma guerra que devia romper entre ambos, e sobretudo qual seria o pretexto dessa guerra. Yayá reflectiu um instante, e começou a falar com os olhos baixos.
—O motivo é o senhor mesmo, disse ella.
—Eu?
—O senhor, que é meu inimigo, que me detesta. Não me dirá que mal lhe fiz eu? continuou ella erguendo subitamente os olhos. Escusa fazer esse gesto de espanto; sei que o senhor me detesta, e por mais que pergunte a mim mesma—não sei, não me recordo... Diga, fale com franqueza.