—Preciso de alguns esclarecimentos. O senhor amou de certo alguma vez...

—Nunca.

—Nunca? Nunca teve um amor, um só que fosse? Não creio. Um coronel! Nada; não creio; só se me jurasse; era capaz de jurar?

—Juro.

—Em nome de sua mãe? concluiu ella fitando-lhe uns olhos cuja expressão imperativa contrastava com o tom submisso da palavra.

Jorge hesitou um instante. Tinha scepticismo bastante para proferir uma formula vaga de juramento; mas recuou deante da formula positiva. Hesitou e ladeou a pergunta.

—Esse nome resume justamente o meu unico amor, disse elle; amei a minha mãe.

Yayá sorriu com ar de duvida; depois olhou para elle commovida.—Eu amo meu pae, redarguiu ella; nossos corações podem entender-se.

A esta palavra não havia que replicar; pareceu-lhe a condemnação do pretendente. Apertou a mão que a moça lhe estendeu, e sentiu-a fria. Após uma curta pausa, abanou a cabeça, murmurando:

—Assim pois, nenhuma sombra de esperança...