—Faça o que entender, disse a moça no fim de outra pausa. Em todo o caso desejo ler a resposta que lhe der.

Jorge abriu a carteira, e tirou de lá o rascunho da carta que pretendia mandar a Procopio Dias.

—A resposta, disse elle, já está escripta. Não querendo matal-o, puz aqui algumas gottas de esperança; não ousaria comtudo mandar o remedio, sem ouvil-a.

Yayá recebeu o papel dobrado, olhou um instante para elle, outro para Jorge.—Leia, disse este. Yayá não obedeceu: pegou do lapis, e sobre a folha do papel dobrado começou a lançar os traços de um desenho. Posto que a luz batesse em chão no papel, Jorge não pode ver desde logo o que era; mas esperava, em frente da moça, que ella rematasse o capricho. Nessa occasião, Estella foi ter com elles.

—Já acabou a licção? perguntou.

—Agora é uma licção de desenho, ao que parece, disse Jorge.

Estella poz a mão no hombro da enteada.—É o Procopio Dias! disse ella olhando para o desenho. Era, mas o desenho frisava com a caricatura; a fealdade de Procopio Dias excedia as proporções verdadeiras, o nariz era enormemente triangular, as rugas da testa grossas e infinitas: um monstro comico. Estella sorriu da travessura, mas reprehendeu-a.

—Deixe ver, disse Jorge quando ella acabou.

—Para que? retorquiu Yayá com indifferença.

E levando o papel á chamma, queimou-o. Jorge interrogou-o com os olhos; ella encarou-o sem se perturbar. Depois folheou a grammatica lentamente.