Iégor passou para a divisão do lado, dizendo:
—Mãesinha, esta manhã um dos nossos amigos saíu da cadeia, onde esteve trez mezes e onze dias. Viu por lá o russo-menor e Pavel que lhe envia muitas recommendações; o seu filho pede-lhe que não se apoquente por causa d’elle, e manda-lhe dizer que no caminho que elle escolheu, a cadeia é o logar que serve para o descanço; assim o resolveram as nossas auctoridades sempre interessadas pelo nosso bem-estar... Vamos agora ao que importa: Sabe quantas pessoas foram presas hontem?
—Não. Pavel não foi o unico?
—Foi o quadragesimo nono... declarou Iégor tranquillamente. E espera-se que ainda sejam presos uns dez... Entre outros este cavalheiro aqui presente.
—Eu mesmo! disse Samoílof, sombrio.
Pélagué respirava mais facilmente.
—Não está então sosinho!...
Quando acabou de vestir-se, passou ao outro quarto, sorrindo, bem disposta.
—Não os conservarão presos por muito tempo se elles são muitos.
—Diz bem! E se conseguirmos torcer o jogo dos nossos adversarios, não terão adiantado mais do que d’antes. Se deixarmos de propagar agora os nossos folhetos, os patifes da policia notarão o caso, e perceberão que a propaganda era feita pelo Pavel e pelos companheiros, agora seus companheiros na cadeia.