Percebia que havia no ar certa agitação; os operarios ajuntavam-se em pequenos grupos, discutiam a meia voz, mas animadamente; os contramestres, desconfiados, rondavam por toda a parte; de vez em quando, ouviam-se invectivas, risos irritados.
Viu então dois guardas da policia levarem Samoílof. Uns cem operarios seguiram-no, injuriando ou troçando dos guardas.
—Vaes dar um passeio, amigo? gritou alguem.
—Honra seja ao nosso companheiro! disse outro. Dão-lhe uma escolta!...
E resoou uma saraivada de pragas.
—Ao que parece, é menos rendoso agarrar os ladrões! berrou muito irritado o vesgo. Mettem-se com a gente de bem!
—Se ao menos, isto fosse de noite! Mas qual! Esta canalha não tem vergonha da luz do dia!
Os guardas iam andando depressa e com ar carrancudo, buscando não verem nada, nem ouvirem os insultos que de toda a parte lhes atiravam. Trez operarios avançaram para elles, com uma barra de ferro, gritando:
—Cuidado, peccadores!
Quando passou diante de Pélagué, Samoílof abanou a cabeça, rindo e dizendo: