Pavel começava a sentir nauseas.
A seguir aos vomitos, foi levado para a cama pela mãe, que lhe collocou uma toalha humida na fronte pálida. Repoz-se um pouco; mas tudo lhe andava á roda; as palpebras pezavam-lhe; tinha na bôca um gôsto repugnante e amargo; olhava para o rosto da mãe e tinha pensamentos sem nexo.
—É ainda cedo para mim... Os outros bebem sem ficarem doentes; eu tenho nauseas.
A doce voz da mãe chegava-lhe aos ouvidos como se viesse de muito longe:
—Como poderás sustentar-me, se te entregas á bebida?
Respondeu, fechando os olhos:
—Todos bebem...
Pélagué suspirou profundamente. O filho tinha razão. Ella bem sabia que os homens não encontrariam outro sitio senão a taverna para se divertirem, que não tinham outro prazer senão o alcool. No entretanto, retorquiu:
—Tu não precisas de beber! O teu pae bebeu á farta por ti; e bastante me atormentou... Deves ter piedade da tua mãe.
Ouvindo estas palavras melancólicas e resignadas, Pavel pensou na existencia silenciosa e apagada d’aquella mulher, esperando sempre os espancamentos do marido. Nos ultimos tempos, Pavel pouco se demorava em casa, para não ver o pae; desprezava um tanto a mãe; regressando ao seu estado normal, examinava-a.