Ella teve piedade de Rybine, a sua sorte assustava-a; parecera-lhe sempre antipathico; e n’aquelle momento sentia-o mais perto d’ella, mais familiar.
—O Pavel vae por um caminho... e elle vae por outro. O Pavel terá menos trabalho... murmurou involuntariamente, accrescentando: Serás preso!
Rybine olhou para ella e replicou:
—Mas soltar-me-ão!
—A gente do campo será a primeira a entregar-te... e poderás ficar preso por muito tempo...
—Acabarei por vir para a rua, e voltarei á mesma. Quanto aos camponios, entregar-me-ão duas ou trez vezes, mas hão de acabar por compreender que farão melhor escutando-me. Dir-lhes-ei: «Não acreditem em mim: oiçam-me apenas!» E se me ouvirem, acabarão por acreditar-me.
—Vaes morrer!... disse tristemente a velha, meneando a cabeça.
Elle fitou-a com um olhar cheio de interrogação. O seu corpo vigoroso estava inclinado para a frente; as mãos apoiavam-se na cadeira; o seu rosto moreno empallidecera, enquadrado na barba negra.
—Sabe o que Jesus disse do grão de trigo? «Não morrerá, mas resuscitará em uma nova espiga!» O homem é um grão de verdade... E eu ainda não estou ás portas da morte...
Levantou-se, vagaroso.