Uma expressão de frieza accudiu ao seu olhar, a voz tornou-se-lhe mais firme.
—Não devo perdoar o que seja mao, ainda quando não me prejudique. Não sou só eu na terra. Admittamos que hoje me deixo insultar sem responder ao insulto; hei de rir talvez, porque não me senti ferido; mas ámanhã o insultador, que experimentou em mim a sua força, vae tirar a pelle a outro. Por isto não devemos considerar toda a gente da mesma maneira; convem reprimir o coração, vêr quem são os inimigos e quem são os amigos. É justo, embora não seja divertido!
Sem saber porquê, Pélagué pensou em Sachenka e no official. Disse com um suspiro:
—Como se ha de fazer pão com trigo que não foi semeado?
—Esse é o mal!
No espirito da velha desenhava-se a figura de seu marido, semelhante a uma grande pedra coberta de musgo. Fantasiou André casado com Natacha, e o seu filho casado com Sachenka.
O russo-menor e Pélagué tiveram muitas conversas d’este genero. Elle conseguira metter-se outra vez na fabrica, e entregava todo o seu dinheiro a Pélagué, que o acceitava naturalmente, como se fosse de Pavel.
Ás vezes, com um sorriso no olhar, André propunha-lhe:
—Se nós aprendessemos a contar?...
Ella recusava; o sorriso d’André acanhava-a. Pensava, um tanto vexada: «Se tu ris, para que havemos de falar n’isso?»