E levantando o olhar, continuou vagaroso e com os dentes cerrados:

—É que eu disse-lhes: «Deixem-me ir embora, que já estou farto! senão mato o primeiro que puder, e suicido-me depois!» Ora!... foi logo! E fizeram bem, porque eu cumpria o que promettera!

—Sim, sim, creio!... balbuciou ella, afastando-se, com as palpebras tremulas, como sempre lhe acontecia quando fitava aquelle rosto bexigoso.

—E como vae o Fédia Mazine? perguntou da cosinha André. Continúa fazendo versos?

—Continúa! Quer dizer... não o percebo bem. Parece um pintasilgo: mettem-no na gaiola, e canta. O que sei é que não tenho nenhuma vontade de ir para casa.

—E tens razão. Vaes encontral-a vasia, o fogão apagado, tudo muito frio...

Vessoftchikof calou-se, cerrou os olhos, depois, tirando da algibeira um masso de cigarros, começou a fumar, muito descansadamente. Com o olhar ia seguindo as nuvens de fumo que se esvaía por cima da sua cabeça; e de subito, rindo esganiçadamente como o uivar d’um cão:

—Sim, muito frio... Naturalmente, o chão está, cheio de baratas geladas, os ratos devem estar tambem mortos de fome... Pélagué Nilovna, dás licença que eu durma cá em casa?

—Está dito! respondeu logo. Sentia-se pouco á vontade; por isto não disse mais.

Foi elle que murmurou em tom abatido: