—Estamos agora no tempo em que os filhos teem vergonha dos paes.
—O quê? perguntou ella, estremecendo.
—Não te apouquentes, que não falo de ti. Tu nunca envergonharás o Pavel. Eu é que me envergonho do meu pae... Não quero voltar para casa d’elle. Já não tenho pae, nem casa. Estou sob a vigilancia da policia, agora, se não ter-me-iam mandado para a Siberia. Creio que um homem, que não se poupasse a trabalhos, teria muito que fazer na Siberia... Daria a liberdade aos exilados, ajudal-os-ia a fugir...
Graças ao seu coração sensivel, a velha percebia que o rapaz estava soffrendo, mas a sua dôr não lhe provocava a compaixão.
—Dizes bem. Sendo assim, seria melhor teres ido... André veio da cosinha.
—Que estás tu para ahi a cantar, homem?
A velha ergueu-se.
—Vou arranjar alguma coisa para comer.
Vessoftchikof olhou fixamente para o russo-menor e respondeu com firmeza:
—Digo que é preciso matar umas pessôas!...