—Pouco importa que elle venha espreitar-nos. Não tem que fazer a essa hora: passeia.
—Qual! exclamou o rapaz! Ora ahi tens o culpado?
—Culpado de quê? de ser parvo?
Mas o bexigoso não respondeu e saíu.
Pélagué não dormia.
—Tenho medo d’elle! exclamou. Parece um fogão levado ao rubro: não dá calor, mas queima.
—Sim... é um garôto irascivel. Nunca lhe fale do Isaías, mãesinha. Esse tal Isaias é em verdade um espião... Pagam-lhe até para isso.
—Que admira? O seu melhor amigo é um agente de policia!
—O Vessoftchikof ainda acaba por torcer-lhe o pescoço! Veja que sentimentos os que mandam na nossa vida fazem nascer nas camadas inferiores. O que succederá quando aquelles que se parecem com este rapaz tiveram a consciencia da sua situação humilhante e perderem a paciencia? O ceu raiar-se-á de sangue, e a terra cobrir-se-á d’espuma, como se a tivesse invadido um musgo vermelho.
—É terrivel, meu André!